Entreguei minhas sapatilhas para que dançasses na linha do tempo, entre todas aquelas coisas que te apresentei.. na vida equilibrista que vivemos! Couberam justas e tu não foste rogada.. Usaste.
Dançaste, correste e entre saltos, rodopios e
escalas, olhaste mais à frente. Cortinas abertas, vislumbraste além da cochias, do nosso camarin. Jogaste as sapatilhas ao longe, gastas, frouxas, sem resistência. Fitas enroladas, rasgos no cetim... perderam o brilho.
Teus pés foram protegidos e hoje, ainda firmes, pisam novos palcos, deslizam noutros tablados...São, ao longe, o mais belo par de pés a dançar a dança da vida... mas, agora, entre um rodopio e outro vejo-os duplicar, vejo-os juntos, cruzarem-se.....danças com teu par, de pés desnudos.
Minhas sapatilhas ficaram prá trás.
Mas delas não esqueças.. com elas aprendeste a andar, a firmar os pés e dançar, dançar, dançar..
Guardo-as como a mais bela relíquia da harmonia, da sincronicidade dos nossos compassos de outrora.

3 comentários:
Nem o tempo pode apagar as lembranças de coisas que nos levantaram,mesmo sendo"passado"a lembrança gera a esperança de um amanhã melhor e nós somos um pouco responsáveis por ele.
Tudo muito lindo Eurí.
Parabéns amiga!
Rastro, o seu blog já está entre aqueles que passarei a visitar todos os dias, na busca de coisas tão inspiradas quanto as que li aqui!
Parabéns! Amo o seu jeito de colocar os seus pensamentos no papel, hoje tela, que é a de um monitor, mas que você consegue fazer parecer a de uma pintura!
Um grande e carinhoso beijo!
Sônia
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