segunda-feira, 25 de junho de 2007

Vida sem ....

No batente do edificio onde mora com a infinita saudade, na rua que paradoxalmente chama-se União, vira e mexe com um graveto as brasas ardidas de uma fogueira tão exígua quanto a vida daquele lugar. Pouca vida, pouco fogo.
Transeuntes, um ou dois na calçada do outro lado da rua, vão indiferentes. Nas transversais os carros disparam deixando riscos de luz no chão tal qual tudo ao redor. Vida parada, sangue frio.
A cabeça varia e se transporta até o chão do terreiro onde certamente a esta hora, a mãe barre em volta dos milhos assados e das pamonhas nas palhas de bananeira. Vida seca, mesa farta.
Lá, naquela hora, a fumaça que sobre cheira a lenha verde que os meninos jogam na fogueira. Lá estalam os gravetos que o pai roçou quando o pasto, das cabras se fartou. Pai trabalhando, filho parado.
Tem na mão a cidade grande e todos os males que nela se acalentam. Trás consigo uma dor anunciada. Alí, sentado a beira do destino, aguarda até que a última chama apague. E a fogueira queima minrada junto à guia da calçada, única luz na escuridão do lugar.
Nem basfêmia, nem prece.

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