terça-feira, 5 de junho de 2007

Vôos pelas Serras dos Sertões


Fujo do litoral emendando céu e mar de tanta chuva. O luscofusco da estrada anuncia dias de temperatura amena e de céu azul cobalto. Enveredo pelas grotas do agreste. Agrestes subidas e descidas, serras em “esses” rodopiando cirandas. Raros humanos beirando a estrada. Pastos cheios e a organização material das fazendas, mais parece desenho infantil com cerquinhas, casa grande, árvores com frutos, caminhos floridos e o sol, dividindo morros por detrás.
Adentro os sertões. Capuchos de algodão tinturados em diferentes tons de verde transformam a caatinga num mar fofo e fértil. Quantos verdes contrastam com céus sem nuvens onde a lua vespertina, começa a crescer! É frio. Para o estio da terra seca, a chuva que desceu sulcou os rios, abriu veredas, lavou os lajeiros e enverdeceu tudinho! Tem algaroba, pereiro e umburanas....As pinhas pesam nos pés, as melancias são vermelho paixão e tudo, tudo o que a terra doa, é farto. Como é livre a terra virgem dos homens! Cabritos se escondem, raposas cortam as estradas e uma guiné observa os carros, seres invasores, descomunais perigos para a integridade da roça. Os galos, imponentes, não ousam cantar diante da enxurrada.
Agasalho, xaxado e baião. Meninos, meninas, saltitam em bandos reproduzindo as festas do cangaço. Reluzem os chapéus e as correntes no peito. Leves, os “xiados” das sandálias de couro, sussurram... xaxado!!!
Num jardim, cornetas amarelam um canteiro.
- Nome da planta?
- "Muié, tenho até vergonha de dizer o nome: Num é de sua conta"!
- Não é de sua conta?
E, por não ser, lá permanece, intocada, dourando e encantando o “beco”.
Égua branca pasta num cenário azul e verde, aberto. Casa de pedra, muro de pedra, coração de mel. Café quentinho e rapadura!Paixão na memória, amiga de braço dado, um olhar sobre o açude. Feliz cidade!
De volta, ao litoral. Burburinho. Trânsito, assédio, menores vendendo a vida, tensão, calor impiedoso...
Casa limpa e acolhedora abrindo os braços para que a loba desgarrada da caatinga, da serra do Brocotó, recomece.Estou de volta!

4 comentários:

Unknown disse...

Olá! Lindo blog. Parabéns pelo bom gosto e pelas descrições.

Beijos

Vânia

Anônimo disse...

Si eu soubesse escrever bem como ela poderia com muitas palavras expressar o que me transmitem suas palavras.Mas não sei.Só posso dizer:"Criatura és uma "maestra de la palabra"
Olé
Euni.

Anônimo disse...

Olha...
Amei suas palavras!Realmente de bom gosto e clareza das coisas...Adorei e já tô virando fã!
Continue se expressando assim....Quem dera eu ter esse dom, o da palavra!Bjs no coração!Sussu

Anônimo disse...

Lindo, lindo , lindo o que expõe, apesar de triste, mostra a força da mulher, em luta do seu proprio amor...
momentos iguais ja vivi, tenho vivido... coisas interessantes que coloca vem em minha mente, aquele nascer do sol, onde eu tb comparo o nascer do dia com está realmente acontecendo dentro de mim naquele momento durante minhas caminhadas diarias na orla maritima e dentro do meu coraçao.
Lindo...
Obrigada pela sua amizade, mesmo que por enquanto seja virtual...
beijos,

Valzinha