
Fujo do litoral emendando céu e mar de tanta chuva. O luscofusco da estrada anuncia dias de temperatura amena e de céu azul cobalto. Enveredo pelas grotas do agreste. Agrestes subidas e descidas, serras em “esses” rodopiando cirandas. Raros humanos beirando a estrada. Pastos cheios e a organização material das fazendas, mais parece desenho infantil com cerquinhas, casa grande, árvores com frutos, caminhos floridos e o sol, dividindo morros por detrás.
Adentro os sertões. Capuchos de algodão tinturados em diferentes tons de verde transformam a caatinga num mar fofo e fértil. Quantos verdes contrastam com céus sem nuvens onde a lua vespertina, começa a crescer! É frio. Para o estio da terra seca, a chuva que desceu sulcou os rios, abriu veredas, lavou os lajeiros e enverdeceu tudinho! Tem algaroba, pereiro e umburanas....As pinhas pesam nos pés, as melancias são vermelho paixão e tudo, tudo o que a terra doa, é farto. Como é livre a terra virgem dos homens! Cabritos se escondem, raposas cortam as estradas e uma guiné observa os carros, seres invasores, descomunais perigos para a integridade da roça. Os galos, imponentes, não ousam cantar diante da enxurrada.
Agasalho, xaxado e baião. Meninos, meninas, saltitam em bandos reproduzindo as festas do cangaço. Reluzem os chapéus e as correntes no peito. Leves, os “xiados” das sandálias de couro, sussurram... xaxado!!!
Num jardim, cornetas amarelam um canteiro.
- Nome da planta?
- "Muié, tenho até vergonha de dizer o nome: Num é de sua conta"!
- Não é de sua conta?
E, por não ser, lá permanece, intocada, dourando e encantando o “beco”.
Égua branca pasta num cenário azul e verde, aberto. Casa de pedra, muro de pedra, coração de mel. Café quentinho e rapadura!Paixão na memória, amiga de braço dado, um olhar sobre o açude. Feliz cidade!
De volta, ao litoral. Burburinho. Trânsito, assédio, menores vendendo a vida, tensão, calor impiedoso...
Casa limpa e acolhedora abrindo os braços para que a loba desgarrada da caatinga, da serra do Brocotó, recomece.Estou de volta!